domingo, 1 de junho de 2008

Simplesmente, Antoine Saint-Exupèry...

Câncer
29/06/1900 - 31/07/1944


“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...”

Após um longo e sábio caminhar, o Pequeno Príncipe, dispôs-se a descansar...
E foi então que apareceu a raposa:


– Bom dia – disse a raposa.

– Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.

– Eu estou aqui, – disse a voz, debaixo da macieira...

– Quem és tu? – perguntou o principezinho.

– Tu és bem bonita...

– Sou uma raposa – disse a raposa.

– Vem brincar comigo – propôs ele.

– Estou tão triste...

– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa.

– Não me cativaram ainda.

– Ah! Desculpa – disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:
– Que quer dizer "cativar"?

– Tu não és daqui – disse a raposa.

– Que procuras?

– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe.

– Que quer dizer cativar?

– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
Criam galinhas também.
É a única coisa que fazem de interessante.
Tu procuras galinhas?

– Não – disse o príncipe.

– Eu procuro amigos.

– Que quer dizer “cativar”?

– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa "criar laços"...

– Criar laços?

– Exatamente, disse a raposa.
Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.
Serás para mim o único no mundo.
E eu serei para ti a única no mundo...

– Minha vida é monótona.
Eu caço as galinhas e os homens me caçam.
Todas as galinhas se parecem e todos os homens também.
Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.
Os outros me fazem entrar debaixo da terra.
Os teus me chamarão para fora da toca, como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo?
Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.
Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste!

– Mas tu tens cabelos dourados.
E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado.
O trigo, que é dourado, fará com que me lembre de ti.
E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e observou muito tempo o príncipe:
– Por favor, cativa-me! disse ela.

– Eu até gostaria – disse o principezinho – mas eu não tenho muito tempo.
Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.
– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo já pronto nas lojas.
Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.
- Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

– É preciso ser paciente – respondeu a raposa
– Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva.
Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Mas cada dia, te sentarás um pouco mais perto...

No dia seguinte o príncipe voltou.
– Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.
– Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz!
Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz!
Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa.

Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.

– A culpa é tua – disse o principezinho.
– Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

– Quis – disse a raposa.

– Então, não terás ganho nada!

– Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:
– Vai rever as rosas.
Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo.
Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:[...].

“ E ao voltar dirigiu-se à raposa:
– Adeus... – disse ele.
– Adeus – disse a raposa.
– Eis o meu segredo.

É muito simples:
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

PERSONAGENS
O PEQUENO PRÍNCIPE
“Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta.”
Perplexo com as contradições dos adultos, o pequeno príncipe simboliza a esperança, o amor e a força inocente da infância que habita o nosso inconsciente.
Extraordinário e misterioso, ele vive em um planeta muito pequeno.
Lá, um dia, apareceu uma flor...


A ROSA
“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”
....Ela começou a crescer, parecia vir do nada.
Ficou horas se arrumando e ajeitando suas pétalas...
E é linda!
Mas também orgulhosa, caprichosa e contraditória.
O pequeno príncipe apaixona-se e vive para atender aos seus caprichos: um lanchinho, o para-vento, uma redoma.
Mas ela nunca está satisfeita e o nosso herói decide partir.
Embora pareça contraditória, entre caprichos e sabedoria, a rosa é extremamente feminina e sedutora.
Por isso, cativa o coração
do principezinho.
O PILOTO

“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas.”
Foi desencorajado, aos seis anos, pelos adultos que não reconheceram a sua sensibilidade artística e a sua capacidade de ver além das aparências.
Mas anos depois, longe de todos, desenha a sua própria história.
O piloto é a prova de que nunca é tarde para irmos atrás dos nossos sonhos.


O REI
"É preciso exigir de cada umo que cada um pode dar"
É o primeiro dos “donos do mundo” que o pequeno príncipe encontra nas galáxias.
O rei pensa que tudo e todos são seus súditos e tem necessidade de controlá-los.
Mas, com sabedoria, nos ensina que cada um só pode dar aquilo que tem.

O VAIDOSO

"Mas o vaidoso não ouviu. Os vaidosos só ouvem elogios."
O vaidoso precisa da admiração de todos para comprovar o seu valor.
Ele nos faz lembrar que precisamos reconhecer nossos próprios talentos e capacidades, e não depender de elogios dos outros para nos auto-afirmar.


O BÊBADO
“– Por que é que bebes?
– Para esquecer.
– Esquecer o quê?
– Esquecer que eu tenho vergonha.
– Vergonha de quê?
– Vergonha de beber!”
O bêbado tenta escapar da realidade por meio do álcool, mas não consegue escapar da vergonha de ser como é.
O seu desabafo é um alerta contra todos os vícios.


O HOMEM DE NEGÓCIOS
"– E de que te serve possuir as estrelas?
– Serve-me para ser rico.
–E para que te serve ser rico?
– Para comprar outras estrelas, se alguém achar.
Esse aí, disse o principezinho para si mesmo, raciocina um pouco como o bêbado. "
O homem de negócios está tão ocupado contando o que acumulou que não pode desfrutar da vida.
O pequeno príncipe nos faz ver que isso também é um vício.
É preciso valorizar quem você é, e não o que você tem.


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
"Aí é que está o drama! O planeta de ano em ano gira mais depressa, e o regulamento não muda!"
Um bom homem cumpre o seu dever.
Mas como ele mesmo diz, " É possível ser fiel e preguiçoso..."
O universo está em constante evolução.
O homem, as crenças e as relações humanas também.
Mas o acendedor de lampiões não tem o bom senso de questionar as ordens e trabalha sem parar, mesmo sabendo que não vai chegar a lugar algum.



O GEÓGRAFO
'É muito raro um oceano secar, é raro uma montanha se mover...."
O geógrafo sabe toda a teoria, mas não aplica seus conhecimentos.
Nunca sai da sua mesa para explorar as descobertas.
Como um bom burocrata, declara que isso é trabalho de outra pessoa.
É ele quem recomenda ao pequeno príncipe que visite o planeta Terra.
E deixa o principezinho abalado quando lhe conta que sua flor é efêmera...


A JIBÓIA
"‘Por que é que um chapéu faria medo? ’[...] Desenhei então o interior da jibóia, para que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações."
A jibóia desenhada pelo piloto quando criança é o ícone que nos ensina a ver além das aparências.

O ASTRÔNOMO TURCO
"Mas ninguém lhe dera crédito por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim."
Os adultos, especialmente os sofisticados materialistas, julgam pelas aparências.
Por isso, o astrônomo turco é desprezado pela comunidade científica até aparecer em elegantes roupas ocidentais..


A RAPOSA
“Tu te tornas eternamente responsávelpor aquilo que cativas.”
A sábia raposa ensina o pequeno príncipe a compartilhar.
E explica-lhe que, apesar de existirem milhares de flores parecidas, a dele é única, e foi o tempo que ele dedicou a ela que a fez tão importante.
Cativar quer dizer conquistar e requer responsabilidade.
Responsabilidade por um amor, por um amigo, pelo talento que possuímos e pelo que conquistamos em nossa carreira profissional e pessoal.
Seja responsável pelas suas conquistas.
Valorize-se.
Cuide do que você cativou.




A SERPENTE
"Mas sou mais poderosa do que o dedo de um rei.”
Embora fale sempre por enigmas, é o personagem mais franco de toda a historia.
Ela respeita o que é puro e verdadeiro.






O CARNEIRO E A CAIXA
"Desenha um carneiro para mim, por favor.”
“Era assim mesmo que eu queria!”.
Nada pode corresponder ao poder da nossa imaginação.
Ela supera o conhecimento, pois não tem limites, e nos impulsiona para novas descobertas.
”Quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer.”





Thebluemoonwitchlighthugs

4 comentários:

Anônimo disse...

Então você sempre será responsável por mim.

BlueMoonWitch disse...

Para tal, só resta saber quem é você...

Anônimo disse...

Alguém com muita dor de garganta e com frio nos pés! mas que tá tomando remédio e já botou 2 meias...

BlueMoonWitch disse...

Ok...
Eu sei como é passar por isso aí!
Não é nada fácil!
É detestável!
Agora vc sabe e sente na pele um pouco do q passei qd morei aí...rs
Melhoras pra vc!
Se cuida...