sábado, 9 de fevereiro de 2008

***VIDA A DOIS***

O segredo para um relacionamento mais feliz!



O casamento começa com uma atração mútua entre dois seres que ao iniciarem sua jornada conjugal, podem desenvolver amor, amizade, sexualidade e projetos em comum. Ao percebermos a dificuldade atual dos casais em cultivar essas saudáveis características nos lembramos de uma realidade histórica que mostra a seguinte verdade: “A dissolução de todas as civilizações anteriores foi marcada pelo enfraquecimento das relações humanas e pela degradação da família”.

A troca afetiva que, realmente, traga segurança emocional requer cuidados diários para os quais nos tornamos preguiçosos ou irrefletidos para realizar. Com freqüência tomamos como certa a afeição das pessoas mais próximas e tratamos a verdadeira essência de nossa vida – vivermos em paz uns com os outros – com um descuido que não ousaríamos aplicar em nossos negócios ou à profissão.

Na vida de um casal, seja casamento, namoro ou, simplesmente “viver juntos” é fundamental acreditar em si mesmo e acreditar no amor, no diálogo, no carinho, na amizade e na cumplicidade. Sem esse fé em si e no outro não se constrói o amor. Construir o amor? Sim, é uma construção, de fato, e não um acontecimento mágico. A relação amorosa pode ser simbiótica ou madura.

SIMBIÓTICA: é a relação em que a dependência da infância (então, natural) se transfere para a idade adulta, trocando os pais pelo(a) companheiro(a). Podemos chamar esse amor de imaturo, no qual alguém domina e alguém se deixa dominar. Em contraposição, o amor maduro envolve cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento mútuo.
Cuidado: é a preocupação ativa pela vida e pelo crescimento de quem amamos. Exemplo: quem ama o jardim de sua casa cuida dele ou não ama e quer apenas desfrutá-lo.

RESPONSABILIDADE: é assumir, espontaneamente, o dever de cuidar da relação em vez de colocar na mão do outro a condição para ser feliz. É superar a habitual questão “Será que ele(a) vai me fazer feliz?” para a colocação “ Como eu posso contribuir para o nosso entendimento?”

RESPEITO: é ausência de exploração, aceitação do outro e abandono da idéia de que o companheiro(a) se “encaixe” no perfil que idealizamos.

CONHECIMENTO: é um aspecto do amor maduro que não fica na periferia, mas busca descobrir o que vai no âmago do outro. Só acontece quando “posso transcender a preocupação por mim mesmo, vendo a outra pessoa em seus próprios termos”. Ex: uma pessoa está encolerizada. Mas eu sei que está ansiosa, insegura ou culpada e posso vê-la como alguém que sofre em vez de vê-la como alguém que se encoleriza. Isto é conhecimento, isto é amor maduro.
A maturidade no amor pode ser explicada com uma reflexão matemática. A tradição tem passado, através dos tempos, que o casamento é a soma de dois seres, formando uma unidade conjugal, isto é, 1+1=1 (abrir mão de si para uma nova identificação). Esse tem sido um grande engano. O amor maduro convida à outra equação matemática curiosa: 1+1=3. Como assim?
Em nova e, aparente e estranha equação, sugere que o vículo do casal seja algo bem mais profundo do que a somatória de duas pessoas, mas a manutenção de duas individualidades com suas diferentes características, que é a

relação do “meu jeito de ser”+ “o seu jeito de ser” = ”nosso jeito de ser”.

Essa equação madura pode trazer o prêmio da verdadeira intimidade. Fundamental para o equilíbrio emocional, mas tão ameaçada pela alienação e indiferença para com os sentimentos (mesmo que sem querer). A vivência madura do amor requer uma comunicação adequada. O que caracteriza uma comunicação adequada?

Vejamos alguns exemplos fundamentais da importante arte de se comunicar.
Esta arte precisa ser aprendida para que não ocorra na comunicação do casal a confusão muito comum que a seguinte vinheta demonstra: “Sei que você acredita haver compreendido o que pensa que eu lhe disse, mas não sei se compreende que, o que ouviu, não era o que eu queria dizer”.

Podemos afirmar, sem risco de cair em exageros, que a quase totalidade dos conflitos mundiais até as pequenas guerras domésticas têm sua origem na comunicação imperfeita, baseada em interpretação mais do que em afirmações claras e sinceras.

Na comunicação entre as pessoas ocorrem vários tipos de interferência:
O que ouvimos passar pelos nossos filtros.
O que falamos passa pelo filtro do outro.
Como interpretamos, nem sempre é o que o outro quer dizer.
O que querermos dizer, nem sempre é o que conseguimos verbalizar.

Na comunicação, não basta o uso da palavra, mas se faz necessário que esse uso seja adequado. Isso se chama metacomunicação (o que se comunica além das palavras). Como?
Pela expressão fácil, especialmente o olhar (de censura, arrogância, incentivo, cumplicidade, etc.).
Pela postura corporal, gestual (braços cruzados, ombros caídos, desvio de olhar).
Pelas atitudes (um bilhete, uma lembrancinha, um telefonema, etc.).
Pela aparência (arrumado, desleixado, discreto, extravagante, etc.).
Pelo uso das palavras que passam mensagens além do seu significado restrito: cabem exemplos de Virginia Satir em seu livro “ Terapia do Grupo Familiar”, tais como:

GENERALIZAÇÕES: “Todo mundo é assim”, “ninguém gosta de mim”.
FATALISMOS: “Nada dá certo”, “Tudo está perdido”
ADIVINHAÇÕES: “Eu sei o que você quer dizer”, “Você sabe do que eu estou falando”.

Estes entraves levam a uma comunicação disfuncional em que mensagens são vagas, calcadas em idéias pré-concebidas, com argumentos estereotipados e distorções ao ouvir, bem como ao falar.
O hábito levam as pessoas a um certo descuido com as palavras, descuido esse que pode trazer séria conseqüências na qualidade de vida do casal e deste com seus filhos. Amar apenas não basta, é preciso saber fazê-lo de forma construtiva, tendo todo o cuidado com aquilo que diz e de que forma o faz para envolver a relação numa atmosfera de boa vontade. A boa vontade se traduz pela prática da comunicação respeitosa (que leva em conta s sentimentos dos outros), serena (tom firme, calmo e confiante), otimista (acredita em soluções), calorosa (transmite afeto), paciente (sabe ouvir e esperar o momento oportuno), humilde (não é dono da verdade).

É construtivo enfatizar as características positivas da convivência conjugal e familiar, mudando a visão cristalizada que focaliza apenas nos problemas. Olhar o lado positivo cria um espaço interno em cada um para manifestar o afeto físico (carinho, beijo, abraço...), bem como o afeto psicológico(valorização e reconhecimento do outro), comportamentos que trazem segurança emocional. Somente quando nos sentimos emocionalmente seguros conseguimos expressar nosso sentimentos de forma autêntica, sejam eles agradáveis ou desagradáveis e , agindo assim, damos ao outro o nosso aval para que se posicione honestamente o que leva a um conhecimento verdadeiro. Tudo isso diz respeito às necessidades psicológicas básicas do ser humano; reconhecimento (sensação de valor pessoal), comunhão (sensação de fazer parte), segurança (sentir-se aceito), acontecimentos (quebra de rotina, viver novidades)

Todas essas necessidades podem ser obtidas numa relação a dois bem estruturada, madura e construída com empenho conforme as reflexões aqui apontadas.

LEMBRETE IMPORTANTE: a cultura moderna tem desvalorizado a importância da dupla conjugal bem construída, mas a alma humana está carente da retomada desta construção milenar. Podemos concluir essas reflexões com as sábias palavras do Dr. Salomão Chaib quando escreveu: “Assim como o corpo requer suprimento diário para se manter forte, do mesmo modo a alma necessita renovar sua ração para manter-se firme, equilibrada e sadia. Seu principal alimento é o afeto e as vitaminas de que se nutre chama-se atenção, cortesia, consideração e presença. Não há nenhum tônico, nenhuma receita que rejuvenesça mais, revigore e purifique a mente do que um ato de ternura, um beijo espontâneo, uma frase sincera de elogio”.

Texto elaborado pela Psicóloga Maria Alice Bahia Diomede.

Nenhum comentário: